A Indústria Moveleira – Muita brasa para pouca sardinha em 2015

A Indústria Moveleira tem decisões e novos desafios para 2015

2014 chega ao fim simbolizando uma página virada no calendário, que de alguma sorte, representa também a total reformulação de nossas práticas para o ano que se aproxima. Subentende-se que evitaremos cometer os erros aprendidos e tentaremos seguir novos caminhos que nos levem a um futuro melhor.

Este ano definitivamente provou que a política de baixar os preços é a certeza de comprometer o futuro de maneira trágica, pois está claro que preço de venda é um resultado e não uma variável do sistema.

Bacana esta ideia, mas eis que ao apagar das luzes de 2014, um empresário da Indústria Moveleira que seguiu por este caminho, fez-me uma pergunta extremamente inteligente e desafiadora, levando-me a refletir dois tipos de comportamento distintos e perfeitamente plausíveis para o cenário. Ele me perguntou: “Qual o o antídoto que uma empresa ferida, focada na produção e dependente do varejo na formação de preços precisa obrigatoriamente adotar em momentos de crise?”

Imediatamente repondi que existem apenas dois caminhos à seguir em meu entendimento. O Primeiro Antídoto para a crise seria a AUSTERIDADE, dado que ela é uma estratégia de sobrevivência e basicamente oferece poucos riscos em contraponto com muito controle e esforço diário.

Nesta política, a empresa reduz sua fisiologia ao funcionamento vital mínimo, concentrando-se nas atividades básicas e fundamentais, desprezando tudo o que não seja necessário para isto. O agravante é que a empresa assume um compasso de espera por dias melhores ou então por sobrevivência frente aos concorrentes que sucumbirão. Caso sobreviva, definitivamente não será a líder de mercado. Torna-se necessária uma estratégia secundária enquanto se sobrevive, a fim de garantir um novo espaço no mercado…

Na outra ponta do mesmo cenário encontra-se o Segundo Antídoto, a INOVAÇÃO. Esta é uma estratégia de liderança e portanto oferece altos riscos, porém aliados à pouca necessidade de controle, mas com enorme necessidade de energização da equipe e uma certa dose de oxigenação.

Este tipo de comportamento leva o empresário a investir em ideias até mesmo subjetivas e injetar parte de seu ativo nesta direção, muitas vezes sendo obrigado a desfazer-se de algo (patrimônio) em prol de gerar o combustível necessário para a guinada de mercado. Caso sobreviva, certamente estará no rol da liderança.

Tudo deveria ser simples e transparente, mas acontece que “de médico e de louco todo mundo tem um pouco”. Claro que devemos ouvir as pessoas, mas cuidado com o que se ouve, pois existem interesses diversos por trás do discurso como diria Maquiavel. O empresário ferido é como a sardinha, e precisa saber que existe muita brasa por aí (leia-se interesses secundários), aliás é muita brasa para pouca sardinha…

O empresário da indústria moveleira que busca por soluções precisa e resolve ouvir: Um dirá que o caminho é o aumento da produtividade, outro dirá que toda mudança passa pelo produto, um terceiro afirma que é necessário motivar e treinar a equipe de vendas, um outro ainda diria que a solução é a implantação da ISO e por aí vai… A minha pergunta é, o que citou o aumento da produtividade, o que ele ganha com isso? O que citou um novo mix de produtos, o que ele ganha com isso? E o da ISO?

É preciso enxergar além das palavras, o empresário obriga-se a pensar em cada um deles e suas respectivas soluções como a brasa que deseja para si, se é que deseja realmente ir para o sacrifício de maneira não convicta.

Finalmente chego ao local desejado para este post. Como dito em minha humilde reflexão, o empresário precisa escolher entre a AUSTERIDADE e a INOVAÇÃO. À partir desta decisão, tudo o que resta é a GESTÃO do caminho decidido e assim sendo, o empresário tem agora duas tarefas, ou faz uma gestão efetivamente de alto nível ou paga e ACOMPANHA quem saiba fazê-la. Falamos agora claramente de comprar, produzir, vender, entregar e principalmente GERIR com eficiência. Já vi casos em que pagar o pro labore do cunhado e deixá-lo em casa foi uma solução extremamente acertada!

Para quem tem a certeza de que faz uma boa gestão ficam as perguntas: Quais seus pontos fortes? E os fracos? Quem é seu cliente? Que produto ele desejaria diferente do seu? Quanto pode pagar? Qual o nível profissional de sua equipe em termos gerenciais? E o comprometimento? Qual o potencial de seu mercado? Qual seu market share neste ambiente? Como é sua logística frente aos concorrentes? Essas são apenas as perguntas mais elementares, existem muitas outras!

O ano novo está prestes a começar, grande parte de nós encontra-se em recesso, merecidamente um momento valioso junto aos nossos imprescindíveis. Porém, dia 05 de janeiro é dia de reunião gerencial, precisa ser um dia histórico, marcado como o dia D que definirá os rumos de 2015 de maneira centrada e objetiva. Não se iludam por falsos caminhos ou meias soluções praticadas até o momento, mudem TUDO caso seja necessário, lembrem-se, É SEU PATRIMÔNIO.

Quem hoje está na liderança, plantou e está colhendo os resultados de suas ações. Não culpemos a política, a corrupção e os demais problemas atuais, pois eles embora sistêmicos e procedentes, podem ser a desculpa que precisávamos para camuflar nossos erros ou falta de atitude em 2014.

Agradeço imensamente e desejo um 2015 brilhante e bem sucedido a todos os que acompanharam meu blog este ano, é preciso lutar para que isto se transforme em realidade e desejo que acreditem que tudo é possível com carinho e dedicação . Mãos à obra e FELIZ ANO NOVO!

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