Gerenciamento Online do Chão de Fábrica: A ponta do Iceberg na Indústria de Móveis

Gerenciamento Online do Chão de Fábrica: Um salto da produtividade

Existe um segredo oculto a 7 chaves por quem lidera atualmente o mercado pela dimensão preço. Este segredo funciona e vale para qualquer segmento produtivo, trata-se de uma relativamente moderna ferramenta de gestão: o gerenciamento online do chão de fábrica.

O segredo não é a questão da ferramenta em si, já conhecida por alguns, mas sim a insistência de muitos empresários em duvidar que a mesma funciona, adiando sua implantação pela falta de visão estratégica. O concorrente JAMAIS irá afirmar que sim, funciona…Obviamente não investir no gerenciamento online significa não incomodar no mercado. Existe também o pecado das soluções “meia boca”, tomadas pela pobreza de espírito de administradores mal preparados para a gestão. Observem quem lidera pelo preço e cresceu inclusive na crise…

A adoção desta ferramenta de gerenciamento online do chão de fábrica provocou um salto de produtividade em TODAS as empresas que assim fizeram, sem exceções. No Brasil a adoção do conceito teve início na década de 90, mas vamos entender melhor este assunto à seguir, desde sua origem até os dias atuais.

Particularizando para a indústria moveleira este conceito encontra-se em situação lamentavelmente defasada. Mas temos os expoentes, que hoje lideram pelo preço com expressiva folga de mercado. Importante salientar que a ferramenta é voltada a processos produtivos em escala, portanto indicada à partir de fábricas de móveis ao menos medianas, que tenham alta repetibilidade de processos.

Podemos dizer que a produtividade industrial sofreu grande transformação em 1971 com o surgimento da TPM (Total Productive Maintenance) no Japão. O conceito do controle estatístico de processos (CEP), criado na década de 20 por Walter Andrew Shewhart (USA) e aperfeiçoado por W. E. Deming (também USA) na década de 40, adquiriu então uma nova abordagem científica na administração moderna.

O modelo de gerenciamento da produtividade antes centrado em números, tornou-se centrado nas ações do  ser humano embasadas por dados coletados da produção. A ideia de “controlar e garantir” um processo migrava definitivamente para “aperfeiçoar e evoluir” as práticas padronizadas. Desta maneira o padrão tornou-se encontrar um novo padrão de performance. Um POP (procedimento operacional padrão) que não sofresse qualquer alteração em 24 meses era um claro indício da paralisia industrial.

Historicamente o conceito do OEE (Overall Equipment Effectiveness) foi introduzido no Japão em 1982 por Seiichi Nakajima, um dos pais da TPM (Total Productive Maintenance). Observamos que logo no início dos anos 90 os Estados Unidos adotaram a mesma sistemática do gerenciamento online do chão de fábrica em suas indústrias automobilísticas, dada a observação do expressivo salto via redução de custos obtido pelas automobilísticas japonesas, em especial Toyota e Honda.

A mudança americana aconteceu após reconhecer humildemente que seus processos industriais não retornavam os mesmos índices de produtividade dos japoneses. O fator preço passava por eficiência operacional e não por massa salarial, aliás os salários mais altos na época estavam no Japão.

O americano acabava de descobrir duramente o segredo do baixo preço japonês: O eficiente gerenciamento do chão de fábrica e suas respectivas paradas. Finalmente depois de uma década perdida, voltaram no segundo milênio a competir em situação de igualdade com a indústria automobilística japonesa na dimensão preço.

Embora o conceito mantenha-se academicamente o mesmo desde então, o que podemos observar é uma significativa evolução tecnológica no gerenciamento online do chão de fábrica. De sistemas proprietários cabeados, caros e complexos passamos hoje para servidores na nuvem aliados a rápidas conexões de internet sem fio e dispositivos de baixo custo do tipo mobile usados na coleta de dados, redesenhando efetivamente a infra estrutura necessária para esta ferramenta de gestão online. Hoje asseguramos que a tecnologia é acessível e ao alcance de todas as indústrias medianas.

O gerenciamento online do chão de fábrica baseia-se em desdobramentos do PDCA onde MEDIR / ANALISAR / APERFEIÇOAR são as bases de todo o resultado obtido. Importante salientar que o corpo a corpo da equipe de administração da produção torna-se mais efetivo e menos ostensivo, na medida em que todos conhecem seus objetivos e resultados.

Através deste raciocínio, o papel dos coordenadores e líderes muda de maneira radical, o corpo a corpo pelo resultado torna-se menos necessário, barateando os custos de recursos humanos. O gerentão ditador ostensivo abre espaço para o gestor líder comunicativo, facilitando a troca de ideias em busca de melhorias no chão de fábrica. Um outro fator extremamente benéfico é o fato do colaborador menos produtivo não poder se esconder, uma vez que seus resultados estarão individualmente evidentes, criando uma questão de comprometimento frente ao grupo.

Em 1994 na Santos Andirá, utilizando o banco de dados Access e planilhas diárias comecei a perceber que meu caminho estava correto. O sistema não era bom, mas era tudo que tínhamos. Coletores de dados eram caros demais, a rede cabeada Novell era relativamente complexa e o processo de tabulação dos dados passava por um alto volume de digitação das fichas de produção. O gerenciamento do chão de fábrica não era online, mas já existia.

Recordo-me na época que passamos por uma forte expansão de mercado e hoje consigo entender que este mecanismo seguramente foi parte das armas que possibilitaram a alavancagem da empresa, que investiu massivamente em tecnologia da informação e maquinário. Ressalto ainda que o ERP é um ponto necessário para a viabilização do gerenciamento online, uma vez que ele baseia-se em códigos de itens e roteiros de fabricação.

Observando a questão tecnológica desde então, a primeira mudança significativa rumo ao gerenciamento online que hoje implantamos foi o WiFi. A tecnologia surgiu em 1997 com a criação do IEE 802.11, mas somente em 2003 com a evolução do padrão 802.11g, tornou-se viável a utilização desta tecnologia na coleta de dados online para múltiplos pontos roteados, segundo um critério satisfatório de velocidade, multiplexação, interferência e força de sinal.

A Segunda mudança em direção ao gerenciamento online do chão de fábrica com baixo custo foi o sistema Android, que surgiu em 2003 e foi adquirido pela Google em 2005. Porém somente em outubro de 2008 diversos fabricantes de telefonia móvel uniram-se para criar a primeira plataforma Android comercial de código aberto, um universo de possibilidades para programadores de software escancarava-se de vez.

Como podemos observar, finalmente na segunda década do segundo milênio, ou seja, à partir de 2010 pudemos finalmente encontrar um ambiente extremamente favorável para que a tecnologia antes nas mãos de poderosas multinacionais pudesse agora desembarcar no chão de fábrica de industrias moveleiras com restrita capacidade de investimento quando comparadas às detentoras da tecnologia na década de 90 nos USA e Japão.

Curiosamente encontramos a barreira final, o empresário. Alguns como dito, observaram, entenderam e incorporaram esta lógica produtiva e hoje gerenciam de maneira online seus indicadores de produtividade. Dentro do mercado atual eles são os mesmos que atropelam os que não seguiram esta linha de raciocínio, praticando negociações agressivas e ainda assim garantindo uma margem de lucratividade mínima e suficiente no atual cenário de crise econômica.

Nos ano de 2014 e 2015, dediquei grande parte de meu tempo explicando e implantando esta ferramenta (filosofia do gerenciamento online do chão de fábrica) em alguns clientes. Hoje posso ver que seja por sorte, visão o que nome queiram dar, acabei mais uma vez trilhando caminhos efetivos junto a pessoas que compartilham esta mesma visão. 2016 não será diferente, visto que a defasagem conceitual ainda é forte dentro do segmento moveleiro. Muitos estarão revendo seus conceitos.

Haverá no futuro novos parâmetros de competição, mas isso apenas quando a eficiência operacional já não for tão diferente entre os competidores de nosso setor. A eficiência é parte do Trinômio da Resiliência Organizacional, então fiquem de olho na inovação e na economia, elas serão as bolas da vez entre concorrentes de igual performance em eficiência.

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