Gestão de Produtos na Indústria de Móveis

Produtos Fora de Linha: Dizendo adeus em grande estilo, da maneira correta

Retirar um produto do mercado é tão importante quanto introduzi-lo. Produtos FL guardam o histórico de relações comerciais.

Na teoria da administração moderna, as empresas são capazes de competir no mercado através de diferentes estratégias, ou seja, cada uma procura concentrar esforços em suas melhores armas, buscando assim vantagem competitiva.

A busca pela vantagem competitiva pode ocorrer de diversas maneiras, mas a que nos interessa neste momento é a vantagem competitiva pelo “produto”.

Embora muitas empresas estejam competindo através deste modelo, a grande maioria não tem dado a devida atenção no que reza a teoria do mesmo, tratando o produto como uma variável que deve acomodar-se de acordo com o sobe e desce do mercado, reduzindo o mix quando está aquecido e ampliando-o quando o mercado retrai. Os produtos podem estar fora de linha à qualquer momento.

Muitos esquecem de observar que tal comportamento tem como consequência imediata a criação de ruído nas relações comerciais, as quais poderiam ser otimizadas inclusive neste momento. Desta maneira, perde-se uma excelente oportunidade em se mostrar ao cliente uma gestão empresarial eficiente, sem reflexos temporais, explicações ou retratações.

Assim como no lançamento, tirar um produto de linha é uma arte que merece o mesmo cuidado usado no ato de se desenvolver e lançar um produto no mercado. Existem “procedimentos” que devem ser respeitados e praticados com habilidades técnicas específicas.

Tenho visto produtos morrerem pelo efeito de ações diversas, em reuniões cujo foco era outro assunto. Vejam bem…se a empresa utiliza o modelo de competição por produto, como pode isto (transformar um produto em fora de linha) ser assunto secundário derivado de outra pauta?

Deixando de lado esta lamentável constatação vamos aos reflexos da decisão tomada, que foi necessariamente estudada em reunião “ESPECÍFICA” para este fim.

  1. Foi estudada a curva ABC dos produtos comercializados?
  2. Discutiu-se as características regionais de tais produtos?
  3. Obteve-se a posição de estoque contra pedidos e itens em processo?
  4. Determinou-se um calendário para tal transição? Representantes e clientes estão formalmente notificados da janela de tempo criada para tanto?
  5. Fornecedores foram informados? Pois parece às vezes que os mesmo são desprezados neste momento e sofrem com tais políticas de mudança repentina, assumindo os próprios estoques.
  6. Foi traçado um plano de suprimentos para controlar e minimizar os possíveis estoques internos de todos os itens relacionados aos produtos encaminhado ao FL?
  7. Existe algum produto substituto para este espaço deixado no mercado?
  8. Em termos de balanceamento das linhas de produção, qual será o impacto no PCP?
  9. Como serão programados os lotes que ocasionalmente existirão após a decisão de retirada dos produtos do mercado?
  10. Qual será a estratégia adotada para as eventuais assistências técnicas posteriores?
  11. Para o caso dos clientes que desejavam a continuidade deste produto, quais serão as ações em campo?
  12. Quais serão os envolvidos em todos os pontos já citados e de que maneira balizarão e receberão feedback das ações de seus pares, dentro do contexto global?

Diante de um planejamento adequado, a gestão industrial transforma-se no que deveria ser em sua essência, seguir o script dos desejos do cliente, orientando ações e traçando rotas nesta direção. Ainda dentro deste pensamento, produtos entrarão e sairão de linha sempre em grande estilo, como dito…da maneira correta, e por que não dizer, de maneira profissional e respeitosa.

Como podem observar, encontra-se em nossas mãos a questão de como desejamos que o mercado defina nossa empresa. As opções do apelido que receberemos são muito criativas e vão desde Relógio Suíço até Torre de Babel. Para o caso pejorativo, raramente saberemos.

Mas estejam certos que o mercado embora normalmente nestes casos não fale…ele pensa…e muito!

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